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  • Foto do escritorValdir Steuernagel

Comunicado interno

Aos: Anjos em Prontidão


Setor: Encaminhamento


Assunto: Proposta de resposta ao e-mail gabriel@ceus.org enviado da parte de Valdir R. Steuernagel


Entre as notas que correm para lá e para cá, eu espero que vocês tenham prestado atenção a um e-mail que eu recebi já faz um tempo e que circulei entre vocês.


Eu confesso que estranhei o fato desse e-mail ter conseguido entrar no nosso sistema, uma vez que usamos um software específico. Em todo caso, eu o recebi e sinto que devo respondê-lo.


Através desta nota estou lhes passando uma espécie de nota prévia, esperando o comentário de vocês. O que eu juntei aqui nem é, de fato, de minha autoria. Eu o captei de uma dessas nossas conversas de cafezinho onde eu vi e escutei o Pai compartilhando da sua alegria e tristeza com essa igreja espalhada nessa terra que a gente também acabou chamando de Brasil. Mas o que acabou chamando a minha atenção foi o carinho demonstrado pelo Pai para com esse pessoal. Foi comovente! Ele até se voltou para mim e me animou a rabiscar um rascunho de resposta à mensagem que eu havia recebido. Então ele fez referência às diferentes cartas escritas a outras igrejas, conforme o testemunho registrado em Apocalipse 2 e 3, e me disse: “E não se esqueça de dizer que o mais importante é o amor!” E assim eu procurei cumprir com a minha tarefa.


E, como a tecnologia não é um dos nossos fortes, até parece que, por uma dessas novas e repetidas falhas (eu já consigo rir delas!), este rascunho já lhe foi passado. Mas, para falar a verdade, isso não tem muita importância, pois o que coloco no papel ele já tem registrado no Livro. É para esse Livro que, acima de tudo, a gente quer chamar atenção.


Eu procurei esquematizar a minha resposta porque parece que assim ele acaba entendendo-a melhor. O que vocês acham disso?


  • Cultivando o primeiro amor. É preciso lembrar constantemente do amor do Pai. A realidade do seu amor fica mais evidente quando comparado com a instabilidade do amor ou o próprio desamor de vocês. Deus ama sempre. Amor contínuo e estável que quer constrangê-los a amar também. Dito em forma de advertência, é preciso não perder o primeiro amor. Pois, isto ocorrendo, se dirá a vocês o que foi escrito “ao anjo da igreja em Éfeso”: “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor” (Ap 2.4).


  • A igreja é de Jesus. Nunca pensem na igreja como sendo algo de vocês. A gente até estranha, por aqui, quando os pastores se referem a uma respectiva igreja local como sendo “a minha igreja”. Ou, quando alguma igreja é identificada como sendo “a igreja do pastor fulano”. Afinal, a igreja é de Jesus. A fidelidade dele a ela deve servir de inspiração a vocês. O zelo dele por ela deve nortear e marcar o zelo de vocês. Cabe a vocês viver a vocação, em espírito de unidade, verdade e carinho. E então descansar.


  • Ser a igreja da Palavra. É muito significativo que vocês tenham acesso à Palavra do Pai de uma forma bem clara e compreensível. E assim, falando a língua de vocês, o Pai compartilha do seu coração e da sua vontade. É preciso, pois, escutar e obedecer a essa Palavra. Não adianta querer buscar a “voz de Deus”, como vocês costumam dizer, em outras formas. Pois, ele não vai e nem precisa falar nada diferente daquilo que já está registrado naquilo que vocês chamam de “Bíblia”. Da igreja em Filadélfia se disse que ela tinha pouca força, mas guardou a Palavra e não negou o nome de Jesus (Ap. 3. 8). Que vocês sejam conhecidos por essa mesma característica.


  • A humildade não pode ser abandonada. A gente já viu muitas vezes, no decorrer da história, como é difícil vocês permanecerem humildes na convivência com uma grande graça. Nós somos testemunhas de como o Pai tem sido bom com vocês. Mas, encantados, vocês parecem voltar-se mais para as possibilidades decorrentes dessa graça do que para o Autor da mesma. Cuidado, pois, com o encantamento do próprio crescimento da igreja e as possibilidades e a “popularidade” que advêm disso. Lembrem-se de que a graça não tem pernas próprias: ela só existe enquanto é soprada pelo Pai. E a humildade, como a gente também vê por aqui, é uma característica do Reino.


  • Zelem pela família. Algumas coisas, nós, como anjos, nem experimentamos. Ser família é uma delas, como você sabe. A gente até andou levando a mensagem da gravidez a Sara (esposa de Abraão), a Isabel (Zacarias) e a Maria (José). Mas de “anja” grávida nunca se ouviu falar. Ser família é, pois, um dos privilégios de vocês. Privilégio esse, aliás, que vocês parecem não estar valorizando -- nem muito, nem adequadamente. O que a gente sabe é que o Pai criou vocês para viverem em família e em comunidades. A família, conforme ele nos faz perceber, é uma das células básicas da comunidade. E isso ele deixou que vocês soubessem. Cuidem, pois, da família, pois ela quer e pode ser uma espécie de microcosmo do Reino. A família não é circunstancial. Ela tem o toque divino.


  • A comunicação visa a missão. Nós temos falado, por aqui, dessa tendência do crescimento da comunicação pela comunicação. Às vezes ela nem parece ter relação com a realidade. Sabemos que vocês chamam isso de “comunicação virtual”. É a autonomia chegando ao universo da comunicação, onde esta se torna ilusória e enganosa. Além de não ter relação com a realidade, ela ainda está a serviço do desvio desta. Gostaria de lembrar-lhes a relação entre o meio e o fim. O que a gente sabe das coisas do Pai é que os fins não justificam os meios. Ou seja, a comunicação é saudável na medida em que ela aponta para as coisas de Deus e ajuda a pintar o quadro do que ele quer e busca. Assim, a comunicação encontra a sua legitimidade na medida em que está a serviço da missão: chama atenção para as coisas de Deus, mostra como ele é e o que ele quer. A comunicação, portanto, não pode estar a serviço da auto-imagem ou da preservação. Comunicação, pois, não como mercado, mas como missão.


  • Poder como serviço. Nós temos ficado boquiabertos com esse jeito do Pai em capacitar a sua igreja e os seus servos. Temos visto demônios fugirem na presença dos servos de Deus. Às vezes até nos surpreendemos entoando aleluias, em coro com os de vocês. Mas esse mesmo poder parece ser um tanto sensível e tem se transformado numa tentação constante para a igreja. Portanto, o poder que advém, tanto da autoridade espiritual, como do próprio crescimento da igreja, precisa ser mantido na ótica do serviço. O poder pelo poder é demoníaco. O poder como serviço glorifica a Deus, edifica a igreja e canaliza vida para o próximo. É com essa vivência do poder que o Pai os quer envolver.


Antes de concluir, eu queria lembrá-lo da importância da fidelidade. Assim como a igreja em Esmirna foi desafiada, também vocês devem ser desafiados pela Palavra que diz: “Sê fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2.10). Essa fidelidade se expressa nas pequenas coisas que acabam sendo básicas: a obediência ao Pai, o carinho pela sua igreja, o cuidado para com a família e a vivência da vocação para Deus, para o outro e para o serviço.


Até aqui eu elaborei esta minha nota, que acabou sendo um discurso, como eles o chamam. Espero que ela não tenha ficado como uma espada que eu vi lá embaixo outro dia: comprida e chata. Mas é que a gente se preocupa com esse pessoal lá da terra do Zé Carioca... Vocês têm alguma sugestão? Podem encaminhá-la a mim até o próximo ensaio do coro.


Vocês já viram como esse pessoal de lá se cumprimenta? É assim que eu termino...


Com um abraço!

 

Publicado originalmente na Revista Ultimato.

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